Um laivo de ciúmes à flor de um beijo

"Não sei com que palavras me ofendeste
Nem qual foi a ofensa
-Mas sei que me ofendi.
Talvez o tom, a maneira,
Talvez o olhar, qualquer coisa
Que eu não encontro, mas vi...
E me fez triste - não sei...
É tanto maior a ofensa
Quando não há um pretexto
-E eu posso garantir que nunca o dei.
Dirás que foram nervos em conflito,
Um laivo de ciúmes à flor de um beijo
Que está numa vontade permanente
E que não sobe aos lábios por capricho?
Dirás ainda que me exponho e apago
Pelo prazer de reagir contigo
Para sentir melhor o teu abraço
Onde me queimo e fico iluminado
Como um fruto de vidro - e onde o pecado
Atinge aquela doce nostalgia
Que se espalha à noitinha pelos céus?
Não dizes nada? Fazes bem. Adeus!"
António Botto





2 Comments:
Tal como prometido, já li Nippy... gosto sobretudo da última parte, tem qualquer coisa...n sei talvez me identifique com a sua força, ao mesmo tempo que se vislumbra uma certa fragilidade...
:)sim pra mim o fim é tb uma defesa
ainda bem que gostaste
besos
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