Terça-feira, Junho 12, 2007

Um laivo de ciúmes à flor de um beijo



"Não sei com que palavras me ofendeste
Nem qual foi a ofensa
-Mas sei que me ofendi.

Talvez o tom, a maneira,
Talvez o olhar, qualquer coisa
Que eu não encontro, mas vi...
E me fez triste - não sei...

É tanto maior a ofensa
Quando não há um pretexto
-E eu posso garantir que nunca o dei.
Dirás que foram nervos em conflito,
Um laivo de ciúmes à flor de um beijo
Que está numa vontade permanente

E que não sobe aos lábios por capricho?

Dirás ainda que me exponho e apago
Pelo prazer de reagir contigo

Para sentir melhor o teu abraço
Onde me queimo e fico iluminado
Como um fruto de vidro - e onde o pecado
Atinge aquela doce nostalgia
Que se espalha à noitinha pelos céus?

Não dizes nada? Fazes bem. Adeus!"


António Botto

2 Comments:

donutslover said...

Tal como prometido, já li Nippy... gosto sobretudo da última parte, tem qualquer coisa...n sei talvez me identifique com a sua força, ao mesmo tempo que se vislumbra uma certa fragilidade...

nippycaos said...

:)sim pra mim o fim é tb uma defesa

ainda bem que gostaste

besos